Mato Grosso do Sul, 7 de outubro de 2026

UE dá sinal verde para assinatura de acordo histórico com o Mercosul

Pacto deve ser assinado na próxima semana e reduzirá tarifas bilionárias

Em uma decisão histórica após 25 anos de negociações, os embaixadores da União Europeia (UE) deram aprovação provisória, nesta sexta-feira (9), para a assinatura do acordo comercial com o Mercosul. O pacto, que será o maior já firmado pelo bloco europeu, foi viabilizado após meses de articulação diplomática para vencer a resistência de Estados-membros liderados pela França.

Vitória da maioria qualificada

A aprovação foi obtida por meio de maioria qualificada: pelo menos 15 dos 27 países, representando 65% da população da UE, votaram a favor do texto. Um movimento decisivo foi a mudança de posicionamento da Itália, que migrou do “não” para o “sim”, isolando a oposição francesa e polonesa.

Países como Alemanha e Espanha defendem que o acordo é vital para diversificar mercados, reduzir a dependência da China e compensar as barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos.

Impacto econômico e redução de impostos

O acordo é estratégico para o fluxo de capitais e mercadorias entre os dois blocos, que movimentaram 111 bilhões de euros em 2024.

  • Economia tarifária: O pacto deve remover 4 bilhões de euros (cerca de US$ 4,66 bilhões) em impostos sobre exportações europeias.
  • Setores beneficiados: O Mercosul reduzirá tarifas elevadas em produtos como peças de automóveis (35%), lácteos (28%) e vinhos (27%).
  • Exportações sul-americanas: O foco do Mercosul será a expansão de produtos agrícolas, minerais, celulose e papel no mercado europeu.

Resistência e próximos passos

Apesar do avanço, a França e grupos ambientalistas mantêm forte oposição. A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, afirmou que a “batalha não terminou” e buscará rejeitar o texto no Parlamento Europeu. Para conter críticas, a Comissão Europeia incluiu salvaguardas, como o controle rigoroso de agrotóxicos e um fundo de crise para agricultores europeus.

A expectativa é que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai já na próxima semana. A votação final no Parlamento Europeu deve ocorrer entre abril e maio de 2026.

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