Mato Grosso do Sul, 7 de outubro de 2026

Corredor Bioceânico vai transformar logística de MS, diz secretário

Artur Falcette apresentou impactos do projeto para o agronegócio

A consolidação do Corredor Bioceânico como eixo estratégico para a integração logística e comercial da América do Sul foi o tema central do painel liderado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) no Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP). Durante o evento, o secretário Artur Falcette apresentou os impactos econômicos da rota, que promete transformar Mato Grosso do Sul em um polo de exportação direta para os mercados da Ásia e do Pacífico.

De acordo com Falcette, o projeto vai além da infraestrutura viária e representa uma mudança estrutural para a economia do estado, reduzindo custos de escoamento de commodities, carnes e industrializados. Um dos marcos mais importantes para a viabilização do corredor é a conclusão da Ponte Binacional entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), essencial para garantir o acesso terrestre aos portos do Oceano Pacífico no Chile.

“O Corredor Bioceânico é muito mais do que uma obra de infraestrutura. Estamos construindo uma nova plataforma de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul, capaz de reduzir custos logísticos, ampliar mercados e gerar novas oportunidades”, afirmou o secretário.

A consolidação da rota deve impulsionar diretamente municípios estratégicos como Porto Murtinho, Dourados e Campo Grande, gerando empregos, valorização imobiliária e atraindo novos investimentos privados. O amadurecimento logístico ocorre em paralelo a outras metas do estado, como a recuperação de mais de cinco milhões de hectares de pastagens degradadas e o compromisso de atingir o status de território carbono neutro até 2030.

Atualmente, a China lidera as compras internacionais do estado — com foco em celulose e carne bovina —, mas o mercado do bloco da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) desponta como um destino promissor que será beneficiado pela nova rota.

Desafios para a Implantação Plena

Apesar das projeções otimistas, o secretário apontou gargalos regulatórios e estruturais que precisam ser solucionados de forma integrada entre os países membros do corredor (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile):

  • Harmonização aduaneira: Alinhamento de legislações e desburocratização de fronteiras.
  • Acordos fitossanitários: Padronização de exigências para o trânsito de produtos agropecuários.
  • Integração de sistemas: Unificação dos modelos de transporte internacional.
  • Qualificação profissional: Preparação de mão de obra para atender às novas demandas logísticas.

O FIAP reúne especialistas, gestores públicos e representantes do setor produtivo para debater o papel da agropecuária brasileira diante da crescente demanda global por alimentos e energia limpa.

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