Rota Bioceânica impulsiona exportações de MS e abre mercado no Chile para novos produtos

A consolidação de novas rotas comerciais está transformando o cenário econômico de Mato Grosso do Sul, diversificando a pauta de exportações para além das commodities e fortalecendo os laços com mercados vizinhos. A Rota Bioceânica, um projeto estratégico de infraestrutura, já fomenta um ambiente de negócios que beneficia desde o microempreendedor até os grandes setores produtivos, com o Chile despontando como um parceiro comercial chave nesta nova dinâmica.
As relações comerciais com o país andino já demonstram um crescimento robusto. Em 2024, a balança comercial bilateral foi equilibrada, com Mato Grosso do Sul exportando US$ 210 milhões para o Chile e importando US$ 197 milhões. A tendência de superávit se acentuou no primeiro semestre de 2025, quando as exportações sul-mato-grossenses para o mercado chileno atingiram US$ 134,16 milhões, contra US$ 96,99 milhões em importações.
“Temos um comércio equilibrado, ainda focado em poucos produtos, mas que com a rota vai avançar”, avalia o governador Eduardo Riedel. “Nosso compromisso é ser um facilitador, apoiar as iniciativas para gerar resultados que levam ao sucesso. Este projeto vem sendo construído por diferentes gerações, em direção a este sonho que se torna real a cada dia”, completou.
Do mercado local à vitrine internacional
Um exemplo prático desse potencial é a trajetória da empresária Bruna Coelho, fundadora da marca de pijamas personalizados “A Moda da Bru”. Com origem em Porto Murtinho, cidade-chave da Rota Bioceânica, Coelho expandiu seu negócio de uma loja local para três unidades no estado e, agora, para o mercado internacional.
A participação em rodadas de negócios fomentadas pelo novo corredor logístico foi decisiva. Durante a “Missão Global Delas”, um evento para empresárias brasileiras em Iquique, no Chile, Bruna apresentou uma coleção desenhada especificamente para o mercado local. A iniciativa resultou na venda inicial de 300 unidades de seus pijamas para revendedores chilenos.
“Após esta oportunidade, as negociações continuaram. Nosso foco agora está tanto em Iquique como em Santiago”, afirma a empresária. Com visão de mercado, ela já desenvolve uma nova coleção de camisas com proteção UV, adaptada ao clima quente de Iquique, e estuda a expansão para Assunção, no Paraguai, outro parceiro estratégico na Rota Bioceânica.
Infraestrutura como vetor de competitividade
O otimismo do setor produtivo é sustentado por investimentos concretos em infraestrutura. A Rota Bioceânica conectará Mato Grosso do Sul, via Porto Murtinho, ao Paraguai, Argentina e, finalmente, aos portos chilenos no Oceano Pacífico. O principal marco do projeto, a ponte binacional que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta (PY), já alcançou 80% de sua construção.
A expectativa é que a nova rota reduza os custos logísticos em até 30% e o tempo de transporte para os mercados asiáticos em cerca de 15 dias, em comparação com o trajeto tradicional via Porto de Santos (SP). O Governo de Mato Grosso do Sul atua para garantir os investimentos em logística e destravar as questões burocráticas com os países vizinhos, criando um ambiente de negócios favorável que atrai capital privado e gera emprego e renda.



