Mato Grosso do Sul, 7 de outubro de 2026

Petrobras atua para mitigar impacto da alta do petróleo no Brasil

Estatal utiliza estratégia de refino e logística para conter preços

Brasília – A Petrobras reafirmou, em nota oficial, sua capacidade de reduzir o impacto da volatilidade do petróleo no mercado interno sem comprometer a rentabilidade da companhia. Diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que elevaram o barril Brent a patamares de US$ 120 na última segunda-feira (9), a estatal utiliza sua nova estratégia comercial para evitar o repasse imediato da inflação global aos consumidores brasileiros.

A companhia informou que a mitigação desses efeitos é possível graças à otimização das condições de refino e logística. “Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro”, declarou a empresa, ressaltando o compromisso com uma atuação responsável e transparente.

Fim da paridade internacional (PPI)

A capacidade de manobra da Petrobras é reflexo da mudança na política de preços implementada em 2023. Segundo Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), o abandono da Política de Paridade Internacional (PPI) permite que fatores internos sejam considerados.

“A política antiga acompanhava 100% a trajetória internacional. Agora, a Petrobras leva em conta fatores internos, o que garante essa margem de manobra”, explica a especialista.

Tensões no Oriente Médio e o mercado global

O preço da commodity tem oscilado bruscamente devido ao conflito no Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, ponto por onde circula 25% do petróleo mundial. Embora declarações recentes do governo dos EUA tenham provocado uma queda temporária para valores abaixo de US$ 100, novas ameaças de ataques e o fechamento de rotas marítimas mantêm o mercado sob forte pressão.

Limitações da estratégia

Apesar do fôlego dado pela nova política, especialistas alertam que o poder de contenção da Petrobras é limitado e temporário. Os principais desafios citados são:

  • Importação de derivados: O Brasil ainda depende da compra externa de grandes volumes de gasolina e diesel.
  • Refinarias privatizadas: Unidades que não pertencem mais à estatal, como a Rlam na Bahia, não seguem as diretrizes da Petrobras, respondendo diretamente às variações do mercado global.
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