Pecuária 2026: Menos fêmeas no abate devem elevar preço da arroba

O ano de 2026 marca o início de uma nova fase no ciclo da pecuária brasileira: a retenção de fêmeas. Com a valorização do bezerro, que atingiu patamares máximos em diversas regiões, o pecuarista parou de descartar matrizes para focar na reprodução. Esse movimento, que já ganha força neste primeiro semestre, reduz a oferta de animais para o abate e gera pressão de alta na arroba.
Segundo Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, o cenário é de sustentação de preços, revertendo o excesso de oferta visto nos últimos quatro anos.
Exportações e Cenário Global
Mesmo com uma projeção de queda de 5% a 5,5% nas exportações (segundo o USDA), o Brasil deve registrar o segundo maior volume de embarques da história.
- Crise nos EUA: A baixa produção norte-americana favorece a proteína brasileira.
- Preços Externos: Valores mais altos no mercado internacional devem compensar o menor volume embarcado.
O “Combo” do Consumo Interno
A demanda doméstica promete ser um pilar central para os preços em 2026. Três fatores artificiais devem injetar liquidez no bolso do consumidor, aumentando a procura por carne bovina:
- Calendário Eleitoral: Historicamente aumenta a circulação de renda.
- Copa do Mundo: Evento que impulsiona o consumo de proteínas.
- Isenção de IR: A nova faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil deve estimular o consumo básico.
Perspectivas para o 2º Semestre
Embora o descarte de “vacas vazias” ainda ocorra até o final do período reprodutivo (fevereiro), a tendência é de pastos mais cheios e ganchos mais vazios.
“A combinação de oferta ajustada com a demanda aquecida cria um potencial de alta mais expressivo para o segundo semestre”, projeta Fabbri.



