Mato Grosso do Sul, 7 de outubro de 2026

México impõe cotas para carnes e taxa excedente brasileiro em até 20%

Nova regra atinge exportações brasileiras que já superam limites isentos

O governo do México oficializou a imposição de cotas tarifárias para a importação de carnes bovina e suína, em medida válida até o fim de 2026. A decisão retira as carnes do programa Pacic, que garantia isenção ampla, e estabelece limites de 70 mil toneladas para bovinos e 51 mil toneladas para suínos. Volumes que excederem esses tetos serão taxados em 20% e 16%, respectivamente.

A mudança representa um desafio direto para o agronegócio brasileiro. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil exportou 113,2 mil toneladas de carne bovina e 74,3 mil toneladas de carne suína ao México. Como os volumes já superam as novas cotas, as exportações futuras enfrentarão custos alfandegários imediatos.

Contexto de Protecionismo Global

De acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, a medida reflete um movimento global de fechamento de mercados. O Brasil é especialmente afetado por não possuir um acordo de livre comércio com o México, ao contrário dos países do bloco USMCA (EUA e Canadá), que permanecem isentos.

O cenário torna-se ainda mais complexo com restrições vindas da China, que também anunciou salvaguardas e tarifas de até 55% para o excedente de carne bovina. “A decisão mexicana ocorre em um contexto de crescimento do protecionismo, que já dava sinais nas negociações entre Mercosul e União Europeia”, pontua Iglesias.

Desafios para o Exportador

Com o fim da isenção total, o setor produtivo brasileiro precisa recalcular custos e buscar novas frentes diplomáticas. A estratégia mexicana visa proteger o mercado interno e produtores locais, sinalizando uma postura mais restritiva que exige do Brasil maior agilidade na diversificação de mercados e na negociação de acordos bilaterais para manter a competitividade global.

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