Importação de tecnologia e máquinas fica mais cara com novas alíquotas

O custo para modernizar o parque industrial e tecnológico brasileiro subiu no início de 2026. A Resolução GECEX nº 852/2026 promoveu um realinhamento tarifário que aumentou o Imposto de Importação para mais de mil classificações fiscais de Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT). A medida atinge diretamente máquinas, peças e semicondutores, essenciais para a produtividade nacional.
1. As Novas Alíquotas na Prática
O reajuste foi estruturado em três faixas principais, podendo elevar a carga tributária em até 7,2 pontos percentuais:
- Alíquotas inferiores a 7,2%: Sobem para 7,2%.
- Alíquotas entre 7,2% e 12,6%: Sobem para 12,6%.
- Alíquotas acima de 12,6% e abaixo de 20%: Sobem para 20%.
2. Efeito em Cadeia: Da Indústria ao Bolso do Consumidor
O aumento não atinge apenas grandes fábricas; ele se espalha por diversos setores da economia. Segundo especialistas da Fiorde Group, os reflexos serão sentidos em:
- Infraestrutura: Aumento de custos em obras de metrôs e mineração.
- Saúde: Encarecimento de exames médicos e manutenção de equipamentos hospitalares.
- Consumo: Reajuste nos preços de celulares, televisores, eletrodomésticos e até motores de portões eletrônicos.
- Contratos: Muitas empresas enfrentam margens de lucro zeradas e necessidade de renegociar contratos já assinados.
3. Risco à Competitividade e Modernização
Com um parque industrial que opera com equipamentos de média de 20 anos, o Brasil depende da tecnologia externa para inovar. “Aumentar o imposto pode gerar arrecadação imediata, mas encarece o investimento e retarda a inovação”, alerta Mauro Lourenço Dias, presidente da Fiorde. O regime de Ex-Tarifário (alíquota zero para itens sem similar nacional) continua sendo uma saída, mas o processo de aprovação pode levar até 120 dias.
4. Janela de Oportunidade Excepcional
Apesar do cenário rígido, a Resolução GECEX nº 853/2026 abriu uma brecha temporária:
- O que é: Pedidos de redução para 0% podem ser protocolados.
- Prazo: Entre 9 de fevereiro e 31 de março de 2026.
- Benefício: Concessão provisória por até 120 dias para mitigar impactos imediatos em projetos já em andamento.



