Duas fazendas de MS atendidas pelo Senar vencem prêmio de sustentabilidade

Duas propriedades rurais de Mato Grosso do Sul atendidas pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar/MS conquistaram o primeiro lugar em suas categorias no Prêmio Fazenda Sustentável 2026, promovido pela revista Globo Rural. A Comunidade Rural Cristã Refúgio das Águias, em Bonito, venceu entre as pequenas propriedades, e a Fazenda Cabeceira da Prata, em Jardim, entre as médias.
O resultado coloca o Estado em destaque nacional: das três categorias principais do prêmio (Pequenas, Médias e Grandes Propriedades), duas tiveram campeãs sul-mato-grossenses. Em sua 10ª edição, a premiação reconhece boas práticas ambientais, sociais e econômicas, e contou neste ano com 136 propriedades de todo o país.
Refúgio das Águias, em Bonito
Campeã nacional entre as pequenas propriedades, a comunidade tem a horticultura como uma das principais atividades, com quatro hectares de produção e seis hectares de área preservada. Atendida pelo Senar/MS desde 2023, recebe acompanhamento em quatro cadeias: agroindústria, olericultura, bovinocultura de leite e apicultura.
Na agroindústria, a assistência ajudou a desenvolver a planta arquitetônica da farinheira, adequar o fluxo de produção, elaborar tabelas nutricionais e criar rótulos. Na olericultura, o apoio esteve ligado à certificação orgânica pelo Instituto Biodinâmico (IBD). Na bovinocultura de leite, foi construído um mangueiro, com foco no bem-estar animal, e foram enviadas amostras para análise da qualidade do leite. Na apicultura, a comunidade implantou caixas de abelhas e já fez as primeiras colheitas.
A sustentabilidade também integra o acompanhamento gerencial: pelo terceiro ano consecutivo, a propriedade aplicou o questionário ESG, que avalia aspectos ambientais, sociais e de governança. Além disso, mantém compostagem, tratamento de esgoto e uso de insumos biológicos, e realiza ações sociais, como doação de alimentos e atividades educativas para grupos escolares.
Para Sidney Viana, vice-presidente da associação dos moradores, a meta é que essas práticas inspirem outras pessoas. “Queremos deixar um exemplo de sustentabilidade que não se reflita só dentro da comunidade, mas também atinja pessoas de fora e sirva de motivação”, afirmou.
Cabeceira da Prata, em Jardim
Vencedora entre as médias propriedades, a fazenda une ecoturismo e pecuária e tem 1.115 hectares de área produtiva e 432 hectares preservados. Recebe a ATeG Agroindústria desde 2022, com acompanhamento voltado à produção de doce de leite, que incluiu a adequação do fluxo de produção e a certificação pelo Selo Arte.
O trabalho também melhorou a organização do ambiente produtivo, com a implantação do programa 5S, baseado em utilização, ordenação, limpeza, padronização e disciplina. Na área ambiental, a fazenda usa biodigestor e biofertilizantes na irrigação, mantém compostagem com minhocário e criou caixas de abelhas Jataí. Pelo quarto ano consecutivo, aplica o questionário ESG.
A premiação também reconheceu a manutenção de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), a reciclagem de resíduos, o cultivo de mudas de espécies nativas e a doação de parte dos alimentos produzidos.
Para o diretor executivo, Eduardo Folley Coelho, o prêmio é fruto de anos de conservação. “É um processo de muitos anos, mas, desde o início, trabalhamos com respeito, sabendo que não temos o direito de danificar um lugar como esse”, afirmou.
Assistência Técnica e Gerencial
Por meio da ATeG, o Senar/MS leva assistência técnica e gerencial diretamente às propriedades, com acompanhamento contínuo para aprimorar processos produtivos, gestão e resultados.
A coordenadora da ATeG Agroindústria, Camila Lima, afirmou que a conquista reflete um trabalho coletivo, “construído a muitas mãos, pelos produtores, pelas equipes técnicas, pelos supervisores e por todos os profissionais do Senar/MS”. Segundo ela, ter propriedades acompanhadas entre as campeãs nacionais confirma a importância da assistência continuada e próxima à realidade de cada produtor, que contribui para que as fazendas sejam reconhecidas “pela forma responsável e sustentável como produzem”.



