Agro de MS exporta US$ 10,1 bilhões com recorde no setor florestal

Mato Grosso do Sul consolidou-se como um dos principais polos do agronegócio brasileiro ao registrar mais de US$ 10,1 bilhões em exportações no fechamento de 2025. O avanço histórico foi impulsionado pelo crescimento expressivo das cadeias de grãos, carnes e, principalmente, de florestas plantadas. A China permaneceu como o principal destino das commodities sul-mato-grossenses, concentrando 47,2% dos embarques.
Setor florestal lidera ranking de exportações
Pela primeira vez na história econômica do estado, os produtos florestais superaram o complexo soja em faturamento internacional. O balanço consolidado aponta a seguinte divisão entre os principais produtos exportados:
- Produtos florestais: US$ 3,12 bilhões
- Soja: US$ 2,94 bilhões
- Carnes: US$ 2,44 bilhões
O Valor Bruto da Produção (VBP) estadual alcançou a cifra de R$ 86 bilhões, com a agricultura respondendo por 64% do montante e a pecuária por 36%. Na pecuária de corte, o estado garantiu a quarta colocação nacional em produção e exportação de carne bovina, somando 1,055 milhão de toneladas processadas.
Projeções para 2026 e mercado de trabalho
O ciclo de expansão deve se estender ao longo deste ano. As estimativas oficiais para as próximas safras indicam que a produção de soja 2025/2026 deve atingir 17,7 milhões de toneladas, enquanto a colheita de milho para 2026 está projetada em 11,1 milhões de toneladas.
Em termos de empregabilidade, o agronegócio estadual sustenta atualmente 97,9 mil vagas de trabalho diretas e indiretas. A bovinocultura lidera a geração de postos de trabalho, seguida em ordem pelas florestas plantadas, cultivo de soja, atividades de apoio à agricultura e produção de cana-de-açúcar.
No panorama nacional, o setor movimentou R$ 3,2 trilhões, o equivalente a 25,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, empregando mais de 28 milhões de pessoas.
Tecnologia e custos de produção
Representantes do setor produtivo atribuem o desempenho à modernização do campo. O Sistema Famasul destacou que a eficiência interna das propriedades rurais e o fortalecimento institucional têm permitido aos produtores atender às demandas internacionais mais exigentes.
Paralelamente, o Senar/MS tem expandido programas de capacitação focados em agricultura de precisão, gestão rural e operação de maquinários tecnológicos.
“Hoje o produtor precisa de gestão, tecnologia, eficiência e mão de obra preparada para atender um mercado cada vez mais técnico e competitivo”, avalia o superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan.
Apesar do viés de crescimento e do avanço de produtividade, as margens de lucro dos produtores seguem pressionadas pelo cenário de custos operacionais elevados. Os principais gargalos identificados para a safra atual concentram-se nos preços de fertilizantes, óleo diesel, frete logístico e taxas de juros para acesso ao crédito rural.



