Mais de 800 cidades brasileiras têm déficit na educação infantil

Um novo indicador de atendimento escolar, divulgado nesta quarta-feira (29), revela que 876 municípios brasileiros (16% do total) ainda não conseguem manter pelo menos 90% das crianças de 4 e 5 anos na escola. Embora a matrícula nessa faixa etária seja obrigatória por lei, o estudo aponta que o Norte do país enfrenta a situação mais crítica, com 29% de suas cidades apresentando déficit na pré-escola.
O levantamento foi elaborado pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) em parceria com o BID e fundações como Bracell e Itaú. O objetivo é oferecer aos gestores municipais — responsáveis diretos pela oferta do serviço — dados mais precisos para a realização de busca ativa de alunos.
Desigualdades Regionais e Creches
O cenário é ainda mais desafiador na etapa de 0 a 3 anos (creches). O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece como meta o atendimento de 60% dessa população até 2036, mas 81% dos municípios brasileiros ainda registram taxas inferiores a esse índice.
- Região Norte: 94% das cidades atendem menos de 60% dos bebês.
- Região Sul: Possui o melhor desempenho, mas ainda tem 66% dos municípios abaixo da meta.
Capitais: Referências e Lacunas
Entre as capitais, Vitória, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte já universalizaram o atendimento para crianças de 4 e 5 anos. No extremo oposto, Maceió (64,8%) e Macapá (71,4%) apresentam os menores índices de cobertura. No segmento de creches, São Paulo lidera com 72,9% de matrículas, enquanto Macapá atende apenas 9,1% da demanda.
Resposta do Governo
O Ministério da Educação (MEC) afirmou que utiliza indicadores oficiais “seguros e precisos” para orientar suas políticas. A pasta destacou investimentos de R$ 7,5 bilhões via Novo PAC para a construção de 1.684 novas unidades, além da retomada de obras paralisadas que podem gerar até 323 mil novas vagas no país.



