Biocombustíveis impulsionam setor de proteína animal no Brasil

O Brasil iniciou uma nova fase de competitividade no mercado global de proteínas animais, impulsionada pela diversificação dos insumos utilizados na alimentação de bovinos, suínos e aves. Segundo relatório do RaboResearch publicado neste mês, a expansão dos biocombustíveis e os ganhos no processamento agrícola estão ampliando a oferta e a variedade de matérias-primas para rações no país.
A maior disponibilidade de ingredientes tem impacto direto sobre as margens do setor, uma vez que a nutrição representa entre 63% e 80% dos custos operacionais da pecuária. Com a expansão do etanol de milho, a oferta de DDGS (coproduto do cereal) cresceu 21% ao ano no último quinquênio e deve atingir 8 milhões de toneladas em 2031, reduzindo a dependência da utilização direta do milho em grão.
Paralelamente, o avanço do biodiesel — cuja meta de mistura é de 20% até 2030 — deve elevar o esmagamento nacional de soja para cerca de 69 milhões de toneladas, injetando 5 milhões de toneladas adicionais de farelo no mercado. A cesta de insumos ganha ainda o reforço do sorgo como alternativa ao milho safrinha, com estimativa de alcançar 10 milhões de toneladas produzidas em 2031.
De acordo com a análise, a fartura de matérias-primas aliada a ganhos de produtividade no campo assegura uma posição estratégica ao Brasil no comércio internacional. Atualmente, o país responde por 34% das exportações mundiais de carne de frango, 22% de carne bovina e 14,7% de carne suína, consolidando-se como uma potência integrada de alimentos e biocombustíveis.



